O Trem da Vida: Entre a Corrida e a Presença
Aproveitar a vida não significa ter uma agenda cheia de
tarefas. A nossa maior desculpa é dizer que não podemos abrir mão de algo para
atender ao que o outro pede. No entanto, a verdade é que, mesmo cansados,
quando realmente queremos algo que nos traz prazer, encontramos um jeito de
fazer.
A vida é como um trem no qual somos passageiros. Sabemos que
compramos a passagem, mas nem sempre compreendemos a profundidade do percurso.
Nesse caminhar, cruzamos com pessoas que exercem influências diretas e
indiretas em nossa história. Somos constantemente chamados a viver em
plenitude, podendo escolher entre parar e aproveitar o momento ou simplesmente
deixar o trem seguir — apenas sobrevivendo, sem de fato viver.
Podemos dar as desculpas que quisermos, mas ao chegarmos à
última estação, olharemos para trás e veremos a trajetória da nossa viagem. O
que notaremos nesse balanço final? Quem deixamos de viver, amar e crescer? Ou,
pelo contrário, que vivemos, amamos e crescemos intensamente?
Como diz a canção "Trem Bala", de Ana Vilela: "Segura
teu filho no colo, sorri e abraça teus pais enquanto estão aqui. Que a vida é
trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir".
Viver com intensidade não é viver sem limites ou de forma
desordenada; é oferecer, de maneira sincera e profunda, o amor e a atenção que
cada pessoa em sua vida merece. Cuide, ame e demonstre gratidão pelo que seus
pais lhe deram. Abrace e diga mais vezes "eu te amo" aos seus filhos,
pois, se eles não encontrarem esse carinho em casa, buscarão em um mundo de
valores e ética distorcidos. Cuide bem da pessoa que escolheu ser seu cônjuge.
Oferecer “um tipo de lar” qualquer um pode fazer, mas lar de amor, de carinho e
de cumplicidade são dons de quem ama de verdade.
Deixemos de lado a desculpa da falta de tempo. Quando
queremos, o tempo aparece. Que possamos enxergar o que realmente desejamos e
quem queremos ao nosso lado. Se não entregarmos o que é necessário, a vida
acabará nos tirando de uma forma ou de outra. Quando isso acontece, resta
apenas o saudosismo e o pensamento: "isso poderia ser meu". Não use o
narcisismo para se convencer de que está sempre certo ou de que seu jeito de
amar lhe protege. Na realidade, esse isolamento apenas afasta as pessoas ou,
pior, deixa aqueles que amamos carentes de afeto e atenção.
Lembre-se: “a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só
passageiro prestes a partir”.
Psi. Tiago Sousa


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