segunda-feira, 23 de março de 2026

 

O Trem da Vida: Entre a Corrida e a Presença

 

QUANTO TEMPO REALMENTE TEMOS? A vida passa tão depressa que, muitas vezes, nem conseguimos perceber o que ela representa para nós. Frequentemente, permitimos que crenças limitantes nos influenciem, como: "não tenho tempo", "não posso parar" ou "preciso correr atrás disso ou daquilo". Nessa pressa, deixamos o que é essencial para trás.

Aproveitar a vida não significa ter uma agenda cheia de tarefas. A nossa maior desculpa é dizer que não podemos abrir mão de algo para atender ao que o outro pede. No entanto, a verdade é que, mesmo cansados, quando realmente queremos algo que nos traz prazer, encontramos um jeito de fazer.

A vida é como um trem no qual somos passageiros. Sabemos que compramos a passagem, mas nem sempre compreendemos a profundidade do percurso. Nesse caminhar, cruzamos com pessoas que exercem influências diretas e indiretas em nossa história. Somos constantemente chamados a viver em plenitude, podendo escolher entre parar e aproveitar o momento ou simplesmente deixar o trem seguir — apenas sobrevivendo, sem de fato viver.

Podemos dar as desculpas que quisermos, mas ao chegarmos à última estação, olharemos para trás e veremos a trajetória da nossa viagem. O que notaremos nesse balanço final? Quem deixamos de viver, amar e crescer? Ou, pelo contrário, que vivemos, amamos e crescemos intensamente?

Como diz a canção "Trem Bala", de Ana Vilela: "Segura teu filho no colo, sorri e abraça teus pais enquanto estão aqui. Que a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir".

Viver com intensidade não é viver sem limites ou de forma desordenada; é oferecer, de maneira sincera e profunda, o amor e a atenção que cada pessoa em sua vida merece. Cuide, ame e demonstre gratidão pelo que seus pais lhe deram. Abrace e diga mais vezes "eu te amo" aos seus filhos, pois, se eles não encontrarem esse carinho em casa, buscarão em um mundo de valores e ética distorcidos. Cuide bem da pessoa que escolheu ser seu cônjuge. Oferecer “um tipo de lar” qualquer um pode fazer, mas lar de amor, de carinho e de cumplicidade são dons de quem ama de verdade.

Deixemos de lado a desculpa da falta de tempo. Quando queremos, o tempo aparece. Que possamos enxergar o que realmente desejamos e quem queremos ao nosso lado. Se não entregarmos o que é necessário, a vida acabará nos tirando de uma forma ou de outra. Quando isso acontece, resta apenas o saudosismo e o pensamento: "isso poderia ser meu". Não use o narcisismo para se convencer de que está sempre certo ou de que seu jeito de amar lhe protege. Na realidade, esse isolamento apenas afasta as pessoas ou, pior, deixa aqueles que amamos carentes de afeto e atenção.

Lembre-se: “a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir”.

Psi. Tiago Sousa

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