segunda-feira, 13 de abril de 2026

 

Meu Senhor e meu Deus! (João 20,19-31)

Uma das mais belas profissões de fé do Evangelho nasce justamente da boca daquele que, ao longo da história, ficou marcado como incrédulo. A exclamação de Tomé — “Meu Senhor e meu Deus!” — não é apenas uma frase emocionante, mas uma profunda declaração de reconhecimento da divindade de Cristo ressuscitado.

Após a morte de Jesus, os discípulos vivem um dos momentos mais dolorosos de suas vidas. Estão feridos, confusos e tomados pelo medo. As promessas parecem distantes, e a esperança parece sufocada pela dor. Trancados no cenáculo, deixam-se envolver pelo luto e pela insegurança, quando já deveriam recordar as palavras do Mestre sobre a ressurreição. A tristeza, naquele momento, fala mais alto que a fé.

Mas o amor de Deus sempre encontra um caminho para entrar onde o coração humano se fechou. As portas estão trancadas, porém isso não impede a presença de Jesus. Ele entra no cenáculo e se coloca no meio deles. Onde havia medo, Ele leva paz. Onde havia confusão, Ele traz sentido. Onde havia tristeza, Ele reacende a esperança.

O Ressuscitado mostra as mãos e o lado ferido. As chagas não são sinais de derrota, mas marcas glorificadas do amor levado até o fim. Jesus permanece o mesmo que foi crucificado, mas agora venceu a morte. Ao mostrar suas feridas, revela aos discípulos que a cruz não foi o fim, mas o caminho para a vitória. O sofrimento não teve a última palavra.

O medo continua sendo uma das maiores prisões da vida espiritual. Ele paralisa, limita e impede o crescimento interior. Por isso, Jesus não apenas aparece, mas comunica a paz: “A paz esteja convosco.” A paz de Cristo não é ausência de problemas, mas a certeza de que Deus permanece presente mesmo em meio às tempestades.

Muitas vezes acontece o mesmo conosco. Escutamos testemunhos, falamos de Deus, participamos da comunidade, mas em determinadas situações escolhemos permanecer no luto da raiva, da discórdia, do orgulho e do desamor. A ressurreição corre o risco de se tornar apenas uma lembrança religiosa, e não uma força viva capaz de transformar a existência.

É nesse contexto que aparece Tomé. Ele não estava presente quando Jesus veio pela primeira vez. Ao retornar, encontra os discípulos transformados pela alegria e escuta o anúncio: “Vimos o Senhor!” Sua reação, porém, não é muito diferente da deles antes da aparição de Cristo. Tomé deseja ver e tocar as marcas da paixão. Ele pede os mesmos sinais que os outros receberam. Antes de julgá-lo, é preciso lembrar que os demais discípulos também precisaram ver para crer.

Oito dias depois, Jesus volta. Mais uma vez entra no cenáculo e dirige-se diretamente a Tomé. Não o humilha, não o rejeita, não o expõe diante dos outros. Cristo conhece suas dúvidas e vai ao encontro delas com misericórdia. A pedagogia de Deus não destrói quem vacila; ela cura, levanta e conduz à fé madura.

Diante de Jesus vivo, Tomé não precisa tocar nas feridas. Basta-lhe a presença do Ressuscitado. Então brota uma das maiores confissões de fé de toda a Escritura: “Meu Senhor e meu Deus!” Tomé reconhece que diante dele não está apenas um mestre, nem apenas um amigo recuperado da morte, mas o próprio Deus feito homem.

Quando Jesus diz: “Porque me viste, creste? Felizes os que creram sem terem visto!”, não está apenas repreendendo Tomé, mas abrindo um horizonte para todos os que viriam depois. Essa palavra alcança cada cristão de todos os tempos. Nós não vimos com os olhos físicos, mas somos chamados a reconhecer Cristo pela fé, na Palavra, nos sacramentos, na comunidade e nos sinais diários de sua graça.

Se a Palavra de Deus ainda não transformou o seu coração, se você ainda vive aprisionado pela raiva, pelo ciúme, pela mágoa ou por sentimentos destrutivos, talvez seja hora de fazer silêncio interior e rezar com sinceridade. Peça como Tomé, não por curiosidade, mas por desejo de conversão:

Senhor, eu quero te ver.
Quero reconhecer tua presença.
Quero que minha vida seja transformada.
Quero unir, e não separar.
Quero amar, e não ferir.
Quero crer, e não viver fechado no medo.

Então, quando o coração se abrir, você também poderá dizer com verdade:

Meu Senhor e meu Deus!

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