O Despertar da Visão: Quando a Luz do Mundo Toca as Nossas Trevas (João 9, 1-41)
O gesto de Jesus ao usar o barro e a saliva é um ato de profunda teologia: é a Nova Criação. Assim como no Gênesis o homem foi formado do pó, Cristo refaz a nossa humanidade, ungindo nossos olhos com a realidade da nossa própria fragilidade para que, ao sermos lavados nas águas da obediência (Siloé), possamos finalmente enxergar a Verdade.
No entanto, a luz incomoda quem se sente confortável nas sombras. Os fariseus surgem como a personificação do sistema e do "mundo" que se recusa a aceitar o novo de Deus. Presos à letra fria da lei e à manutenção do poder, eles preferem um cego mendigando nas regras a um homem livre que enxerga o divino. Para os fariseus de ontem e de hoje, as normas são mais importantes que as pessoas. Eles representam a resistência humana em aceitar que Deus não cabe em nossas caixas teológicas ou convenções sociais.
Para refletir:
Em que lado da narrativa estamos? Na coragem do cego que, mesmo expulso pela comunidade, encontra-se face a face com o Senhor? Ou na soberba dos que afirmam "nós vemos", enquanto permanecem cegos para a misericórdia? No fim, a fé não é ver para crer, mas deixar-se tocar pela Luz para que todo o nosso mundo ganhe cor, sentido e propósito.


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